Comportamento

A maneira mais eficaz de praticar gratidão não é fazer uma lista

Por Cezar Ribas · 05/09/2026
A maneira mais eficaz de praticar gratidão não é fazer uma lista
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Fazer uma lista das coisas boas da vida se tornou quase sinônimo de praticar gratidão. Um experimento com 10.696 pessoas, porém, indica que outra estratégia produz um efeito imediato maior: agradecer diretamente a alguém.

A pesquisa foi coordenada pelo psicólogo Nicholas A. Coles e assinada por 36 cientistas. No artigo publicado na PNAS, a equipe comparou seis exercícios de gratidão em participantes de 34 países.

Uma avaliação global, não uma pesquisa de opinião

Os voluntários foram distribuídos aleatoriamente entre seis práticas de gratidão e três atividades de comparação. Logo depois, responderam a perguntas sobre emoções positivas e negativas, otimismo, satisfação com a vida, inveja e sensação de estar em dívida com alguém.

Os exercícios iam do familiar ao menos conhecido. Um grupo listou cinco motivos de gratidão; outro escreveu uma carta sem enviá-la; um terceiro redigiu e enviou uma mensagem de agradecimento.

As demais práticas consistiam em recordar cinco acontecimentos positivos e imaginar como seria a vida sem eles, escrever para Deus ou outra entidade espiritual e realizar uma reflexão baseada no método japonês Naikan. Nesse último caso, os participantes pensaram no que receberam dos outros, no que ofereceram e em como poderiam ter ajudado mais.

Nos grupos usados para comparação, as pessoas apenas responderam ao questionário ou escreveram sobre acontecimentos passados e experiências recentes, sem instruções relacionadas à gratidão.

A lista ficou em último

Em média, os seis exercícios tiveram resultados melhores que as atividades de comparação. O maior efeito apareceu entre quem escreveu e enviou uma mensagem a alguém importante. A lista de cinco motivos de gratidão ficou na última posição.

A diferença sugere que não basta organizar mentalmente as coisas boas. Incluir outra pessoa parece acrescentar uma dimensão importante à experiência. Outra pesquisa também encontrou indícios de que demonstrar gratidão pode favorecer novas relações.

A melhora existiu, mas foi discreta

Depois dos exercícios, os participantes relataram um pouco mais de emoções agradáveis e um pouco menos de sentimentos negativos. Também houve pequenas melhoras no otimismo e na satisfação com a vida, além de uma leve redução da inveja.

Em termos práticos, nenhuma das atividades provocou uma transformação radical. O resultado mais perceptível foi uma melhora passageira no estado emocional. As mudanças na satisfação com a vida, por exemplo, foram bem menores.

Isso significa que uma prática curta e gratuita pode tornar o momento um pouco melhor, mas não há evidências de que mude a vida de alguém ou produza felicidade duradoura.

A gratidão também aumentou discretamente a sensação de dever um favor. Paulo Sérgio Boggio, coautor brasileiro do estudo, interpreta esse resultado como parte do caráter social do agradecimento: reconhecer uma ajuda pode fortalecer vínculos e estimular novas ações de cooperação, inclusive voltadas a terceiros.

O país pesou mais que o exercício

As diferenças entre países superaram aquelas observadas entre as seis práticas. Os maiores efeitos apareceram no México; na Noruega, ficaram próximos de zero. O Brasil ocupou aproximadamente o meio da comparação, com 598 participantes.

Os pesquisadores examinaram 12 aspectos culturais, entre eles religiosidade, aceitação das diferenças de poder e rigidez das normas sociais. Essas comparações levantam possíveis explicações, mas não permitem afirmar que uma característica específica tenha causado as diferenças.

Sentir mais emoções positivas foi o resultado que mais se repetiu entre os países. As mudanças no otimismo, na satisfação com a vida, na inveja e nos demais aspectos variaram muito mais de um lugar para outro.

O efeito foi medido na hora

Os questionários foram respondidos imediatamente depois dos exercícios. O estudo não revela se as mudanças duraram horas, semanas ou meses, nem se os participantes melhoraram seus relacionamentos ou passaram a agir de forma mais cooperativa.

As avaliações também dependiam da percepção dos próprios voluntários. Como o experimento foi realizado pela internet, os participantes não representam perfeitamente toda a população de cada país.

Entre as práticas testadas, agradecer diretamente a alguém produziu a maior melhora logo após o exercício.

Fonte original: HypeScience

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