Astronomia

O universo é uma simulação? Prova matemática derruba essa idéia

Por Alessandra Nogueira · 06/09/2026
O universo é uma simulação? Prova matemática derruba essa idéia
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Imagine que o universo inteiro seja apenas parte de um grande experimento de computador — cena recorrente na ficção científica. A equipe do Mir Faizal, professor adjunto da University of British Columbia Okanagan, com os colegas Lawrence M. Krauss, Arshid Shabir e Francesco Marino demonstrou que esse cenário não é só improvável — é matematicamente impossível. Esse estudo recém-publicado no periódico Journal of Holography Applications in Physics mostra que fundamentos da realidade escapam de serem simulados por algoritmo — e sim, dá pra encaixar uma pitada de humor contemplando que nem “Matrix” escapou.

O que a teoria da simulação pressupõe

Quando se sugere que estamos em uma simulação, parte-se da ideia de que uma civilização avançada poderia rodar o universo em um supercomputador — e que esse universo simulado poderia, por sua vez, simular outro universo, numa espécie de “matriosca cósmica”. Mir Faizal explica que antes essa hipótese parecia apenas filosófica, mas agora a equipe mostrou que pode ser examinada por meio da matemática.

Os físicos seguem há décadas caminhos que vão além da mecânica newtoniana, depois da teoria da relatividade de Albert Einstein e da mecânica quântica: a moderna gravidade quântica sugere que espaço e tempo nem sempre foram fundamentais — eles emergem de algo mais básico que alguns chamam de reino platônico da informação. Nesse contexto, os pesquisadores usaram teoremas como o de Kurt Gödel (incompletude) para mostrar que não é possível computar completamente a realidade. Eles afirmam que existe um entendimento não-algorítmico que ultrapassa sistemas de regras computáveis. (arxiv.org)

Por que “simulação” não se sustenta

No estudo, os autores apontam que não há possibilidade de uma teoria computacional que descreva “tudo” de forma consistente e completa — ou seja, uma “Theory of Everything” algorítmica é inviável. (arxiv.org) Logo, se cada simulação é um sistema algorítmico, o universo não poderia ser simulado.

O que muda para a cosmologia moderna

Em vez de considerar espaço e tempo como blocos primordiais, essa abordagem vê ambos emergindo de informações mais abstratas — como se o universo fosse construído de um substrato onde a “matéria” é quase secundária. Isso conecta com ideias de gravidade quântica que lutam para unificar a teoria da relatividade com a mecânica quântica.

É curioso notar que a impossibilidade de um sistema computacional “completo” ecoa o que dizem os que estudam a incompletude da lógica — a mesma linha que se aplicou originalmente à matemática agora ressoa na física. Portanto, a realidade seria mais “criativa” que quaisquer linhas de código que possamos imaginar.

Até agora, a hipótese de que vivemos numa simulação ficava no âmbito filosófico ou da ficção científica. Com esse trabalho, ela entra na arena da física/matemática séria — e sai derrotada. O universo não só “não parece” simulado: segundo os autores, não pode ser.

Perguntas que sobram — e um leve toque de humor cosmológico

Minha impressão é que este é um daqueles momentos que combinam rigour matemático com humildade científica: lembramos que o universo tem esse senso de humor delicado — ele cria leis que nem algoritmos podem capturar — e nós, humanos, continuamos tentando decifrá-lo, com nossos modelos, laboratórios e cafés.

Fonte original: HypeScience

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